domingo, 28 de março de 2010

Voyage Rocambolesque

Os negociantes franceses de vinho são considerados os primeiros comerciantes dessa indústria a abraçar o marketing para desenvolver seu negócio. A França e o Champagne entraram em nova era no século XIX, com o avanço simultâneo do mercado dos vinhos de luxo e da popularização da bebida. Em 1887, ano movimentado pelo Jubileu da Rainha Vitória, os produtores abusaram da figura de sua majestade. A imagem da pura e simples viúva (veuve) – "grande e genuína mãe" – também esteve presente nos rótulos e nos apelos de venda. Aos produtos de viúvas reais (lembrem-se de Veuve Clicquot) somam-se as viúvas da ficção, puras armas de marketing. A Maison Mercier chegou a lançar em 1885 um vinho de certa inexistente Veuve Damas do Reims. Eugène Mercier era bom nisso. Sua obra de gênio é o grande tonel, com capacidade para 200 mil garrafas de vinho, que exibiu com muita pompa na Exposition Universelle de 1889,
em Paris, no centenário da Revolução Francesa. O tonel gigante começou a ser projetado em 1870, com carvalho trabalhado na Hungria durante cinco outonos. O esqueleto chegou em Strasbourg e depois seguiu de trem para Epernay. Durante três semanas os jornais acompanharam a chamada "voyage rocambolesque", de Epernay a Paris. Doze pares de parrudos bois brancos foram usados para transportar o foudre que, repleto de Champagne, chegava a 20 toneladas. Dezoito cavalos seguiam o cortejo para substituir os bois nos trechos íngremes. Afinal, o Champagne tinha de brilhar na efervescente exposição universal, cuja atração principal era nada menos do que a Torre Eiffel.


http://www.maisons-champagne.com


DC de 26/03/2010

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