Aluno especial em Oxford, nos anos 20, o sociólogo Gilberto Freyre (1900-1987) recebeu uma incumbência do governador da cidade do Porto, Nuno Simões: procurar nos alfarrabistas da Inglaterra livros sobre vinhos... do Porto. Uma das obras encomendadas a Freyre foi A Treatise of the Wines of Portugal, de John Croft, publicado em 1788. Simões classificava esse livro como um dos "clássicos na matéria", já que os ingleses até então eram os que mais tinham estudado a história desse vinho fortificado, considerado em boa parte do reino um vinho "meio-inglês", tal o envolvimento dos ingleses na comercialização e universalização do produto português. A empreitada nos sebos de Londres é descrita por Gilberto Freyre no pequeno livro Ingleses, de 1942. O antropólogo e sociólogo que interpretou o Brasil e fez um polêmico retrato da sociedade patriarcal brasileira em Casa Grande & Senzala, também reuniu impressões sobre o comportamento dos ingleses, esses "anglos às vezes anjos". A curta mas intensa temporada de Freyre em Oxford, regada a muito vinho do Porto e tertúlias universitárias, abriu os olhos do estudante tanto para os poetas românticos daquele país como para a personalidade intrincada desses "ilhéus". Anos mais tarde, Gilberto Freyre escreveria trabalho de mais fôlego Ingleses no Brasil, no qual mostra o peso da presença inglesa, dos primeiros trilhos às primeiras décadas do século 20. Colecionador de recortes publicitários de empresas britânicas no Brasil, Freyre revelou detalhes do comércio entre os dois países num tempo no qual "o engenheiro inglês", seu vinho de adoção e sua língua eram personagens de culto.
http://www.fgf.org.br/
http://www.e-mercatura.net/html/pt/historiavinho.asp
DC 14/7/2006
segunda-feira, 30 de julho de 2007
Anatomia da Phylloxera
Aspersão de água benta do santuário de Lourdes sobre os vinhedos, procissões entre as vinhas, poderosas injeções de veneno no solo, cordões de plantas malcheirosas para afastar a praga, pulverização com cinzas de Pompéia, retirada de raízes com geringonças medievais, fogueiras... Os vitivinicultores franceses se valeram de todas as "soluções" (ou as elocubraram) para salvar seus vinhedos a partir da segunda metade do século XIX, quando viram suas plantas, inicialmente no Médoc e Borgonha e depois no país inteiro, literalmente mirrar. Foram décadas de luta, depois do alerta: os vilões eram microscópicos pulgões amarelos, de hábitos misteriosos, "especializados" em atacar as raízes das videiras. Os botânicos penaram para encontrar respostas na mesma velocidade com que os bichinhos passaram a maltratar o orgulho francês e rapidamente vinhedos de toda a Europa. A batalha dos cientistas contra a Phylloxera Vastatrix é mostrada de um ângulo inédito em The Botanist and the Vitner – How wine was saved for the world (Algonquin Books of Chapel Hill, 2005), do jornalista inglês Christy Campbell. Uma pesquisa nos jornais de época traz à cena vozes exaltadas, heterodoxas e até mesmo ponderadas dos protagonistas dessa história, com destaque para o grito dos cientistas. O botânico Jules Planchon, que hoje tem até estátua em Montpellier, era da turma que entendeu que a Phylloxera viajou "a bordo" de mudas americanas, de Nova York para a França, endereçada a um comerciante de vinhos que as plantou. E tentou mostrar como a vinha que trouxe o inimigo poderia salvar os vinhedos europeus.
http://berrygrape.oregonstate.edu/fruitgrowing/grapes/phybiol.htm
http://www.arlindo-correia.com/060904.html
DC 30/6/2006
http://berrygrape.oregonstate.edu/fruitgrowing/grapes/phybiol.htm
http://www.arlindo-correia.com/060904.html
DC 30/6/2006
Todas as artes dos Chiarlo
Michele Chiarlo e sua família de jovens enólogos abrem neste fim de semana a quarta temporada de verão em Orme su la Court, o parque artístico construído em pleno território da uva Barbera, nas colinas piemontesas de Castelnuovo Calcea, província de Asti. A idéia dos Chiarlo, reconhecidos produtores de vinhos Barbera, Barolo e Gavi, é promover o encontro da enologia e da gastronomia com a arte. Artistas montaram instalações coloridas ao longo dos vinhedos – obras inspiradas nos elementos da natureza: terra, ar, água e fogo, e erguidas com madeiras e ferros de demolição. O percurso entre os vinhedos La Court e Castello é também um passeio por um mundo de fábula. Estão lá o rei, a rainha, o menestrel, o dragão, personagens preferidos do cenógrafo genovês Emanuele Luzzati. No início da caminhada, esculturas aéreas, como móbiles gigantes, vibram e soam com o vento. A arte é rotina nas adegas, abertas para exposições e leituras de poesia, enquanto o terreiro sedia mostras de cinema. Já a torre de pedra é mirante para o show perene, o dos vinhedos. O tema da festa de 2006 é Oro, Argento e Sbronzo, que vai relacionar o mundo do vinho ao do esporte. Em 2005, a programação girou com Eros no Vinhedo. Agora, bate-papo conduzido por Alessandro Torcoli reunirá feras do esporte. O sbronzo do título soa como bronze, mas é um trocadilho bem-humorado que põe em cena o feliz embriagado.
http://www.chiarlo.it
http://www.kobrandwine.com/prodbook/mic001.html
DC 23/6/2006
http://www.chiarlo.it
http://www.kobrandwine.com/prodbook/mic001.html
DC 23/6/2006
Adegas submarinas
Um pequeno robô, dotado de câmaras digitais e sonar de alta resolução, é nova arma dos arqueólogos que se lançam aos oceanos atrás de navios naufragados. O SeaBED foi desenvolvido por pesquisadores do Woods Hole Oceanographic Institution e usado para mapear um navio que afundou entre as ilhas de Quios e Oinoussia, no mar Egeu, há mais de 2.300 anos. A partir de 2005, o robô passou a fornecer para cientistas gregos e americanos o que hoje são mais de 7.500 imagens da embarcação grega, encalhada há 60 m de profundidade, onde uma exploração convencional seria impraticável. O navio de madeira carregava centenas de ânforas de vinho e de óleo de oliva, originárias de Quios e Samos. Estudos sobre essa "adega submarina", encontrada entre peixes coloridos e esponjas, ajudam a detalhar antigas rotas comerciais e nomear seus principais protagonistas. Atenas era o maior mercado para os vinhos de Quios, que alcançavam Chipre e Criméia. As ânforas indicam que Quios continuou a comercializar seu vinho no séc. IV a.C., mesmo após a Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.) e o declínio do império ateniense. A precisão dos volumes medidos pelo robô em Quios vai contribuir para o redimensionamento histórico do comércio na região. E tem peso igual ao das importantes descobertas em La Madrague de Giens, Sul da França. Ali um navio afundou em 60 a.C. com nada menos do que 7 mil ânforas de vinho que levava de Pompéia para Marselha.
2740&articleId>5698">http://www.whoi.edu/sbl/liteSite.do?litesiteid>2740&articleId>5698
www.culture.gouv.fr/culture/archeosm/archeosom/en/madra-s.htm
DC 16/6/2006
2740&articleId>5698">http://www.whoi.edu/sbl/liteSite.do?litesiteid>2740&articleId>5698
www.culture.gouv.fr/culture/archeosm/archeosom/en/madra-s.htm
DC 16/6/2006
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